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Importância

Crescer de uma cadeira para três: o que muda

5 minutos de leitura

Quem trabalha sozinho tem um negócio simples: a agenda é uma, as decisões são de uma pessoa, e o que está na cabeça dela chega para tudo. A segunda cadeira parece apenas mais do mesmo. Não é.

A informação deixa de caber numa cabeça

Trabalhando sozinha, não precisa de escrever que a senhora das dez não pode levar produto com perfume, que a das onze chega sempre dez minutos atrasada, ou que a fórmula daquela cor leva mais um quarto de volume. Sabe.

Com três pessoas, cada uma sabe o seu terço — e nenhuma sabe o das outras. Basta uma ausência para o salão atender alguém pior do que atendia há um ano, sem ninguém perceber porquê.

É a primeira coisa a mudar, e é a mais barata de resolver: a partir do momento em que há duas pessoas, o que se sabe sobre cada cliente tem de estar escrito num sítio que todas alcancem. Não é burocracia, é a condição para o serviço não piorar com o crescimento. Escrevemos sobre o que uma ficha deve ter em Uma ficha de cliente que serve para alguma coisa.

A agenda deixa de ser uma

Com uma pessoa, a agenda é uma linha de tempo. Com três, são três linhas que se cruzam — e que competem pelos mesmos recursos.

Duas colorações à mesma hora precisam de dois lavatórios. Três depilações a laser precisam do aparelho, que é um. A sala de tratamentos serve uma pessoa de cada vez. Se a agenda só sabe quem está ocupado e não sabe o que está ocupado, marcam-se serviços impossíveis — e a conta é paga pela cliente que espera vinte minutos sem perceber porquê.

É por isto que, a partir da segunda pessoa, a agenda precisa de saber três coisas em vez de uma: quem, onde e com que equipamento. Falamos disto em Salas, cadeiras e aparelhos: gerir o que é partilhado.

O serviço tem de ficar igual, venha de quem vier

Este é o problema que mais mata reputações em crescimento, e é silencioso.

A cliente que vinha há cinco anos e era sempre atendida pela dona passa, um dia, a ser atendida por outra pessoa. Se o resultado for diferente — não pior, apenas diferente —, ela não reclama. Marca outra vez com a dona. E quando não houver vaga com a dona, deixa de marcar.

Crescer exige que se escreva o que antes era intuição: como se recebe alguém à entrada, quanto tempo leva cada serviço, que produtos se usam em quê, o que se pergunta antes de começar. Não para transformar o salão numa cadeia — para que o nome do salão signifique alguma coisa independentemente de quem está na cadeira.

Quem gere deixa de faturar as mesmas horas

Uma conta que quase ninguém faz antes de contratar: a pessoa que passa a gerir deixa de estar disponível para atender a tempo inteiro.

Horários, encomendas, faltas, conflitos, formação de quem entra, conversas com clientes insatisfeitas. São horas reais, e saem das horas que antes davam receita. Se o crescimento foi planeado assumindo que a dona continua a faturar o mesmo e ainda gere, a conta não fecha — e o que costuma ceder é a gestão, que é precisamente o que estava a justificar o crescimento.

Quem planeia isto bem conta, desde o início, com um número concreto de horas por semana só para gerir, e protege-as na agenda como protegeria uma marcação.

O dinheiro passa a ter mais donos

Com uma pessoa, o que entra é o que sobra, tirando despesas. Com três, entra no meio uma coisa que muda tudo: a repartição.

Quem fez o quê, quem vendeu que produto, o que conta para comissão e o que não conta. Se isto não estiver claro e registado desde o primeiro mês, aparecem discussões — e discussões sobre dinheiro numa equipa pequena estragam-na depressa. É um tema com regras próprias, que tratamos em Comissões: um sistema que não gera disputas.

Há ainda uma quarta coisa a preparar, e é a que costuma apanhar toda a gente de surpresa: a primeira vez que precisa de despedir ou de ser despedida por alguém. Numa equipa de três, a saída de uma pessoa leva consigo um terço da carteira se as fichas forem dela, e leva quase nada se forem do salão. A diferença não se constrói no mês da saída — constrói-se no primeiro mês de trabalho, com a disciplina de registar o que se aprende sobre cada cliente.

E prepare-se para uma mudança na sua própria satisfação com o trabalho. Muita gente abre um salão por gostar de fazer, e descobre ao crescer que passa os dias a resolver coisas que não tinham nada a ver com o ofício: turnos, encomendas, conflitos, dinheiro. Não é um sinal de que correu mal. É o que crescer é, e é melhor sabê-lo antes de contratar do que descobri-lo ao fim de seis meses cansada.

Por onde começar, se está a pensar contratar

Antes da entrevista, três coisas, por esta ordem.

Primeiro, escreva o que sabe: os seus tempos por serviço, os produtos que usa em cada um, e as notas das suas clientes habituais. Se isto ainda vive na sua cabeça, o primeiro mês da pessoa nova vai ser passado a perguntar-lhe tudo.

Segundo, decida a repartição por escrito antes de haver alguém interessado. Decidir com a pessoa já à frente é decidir mal.

Terceiro, separe as horas de gerir na sua própria agenda. Se não as puser lá, elas vão ser roubadas às noites.

E quando quiser ver o que uma agenda com várias pessoas, salas e permissões envolve na prática, está em funcionalidades.

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