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Fotografias antes e depois: para quê, e com que cuidados
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Numa coloração, num tratamento de pele ou num plano de sessões, a memória das pessoas é má aliada. Ao fim de oito semanas ninguém se lembra de como estava no início — nem a cliente, nem quem a trata.
A fotografia resolve isso melhor do que qualquer descrição escrita. E, ao mesmo tempo, é o dado mais delicado que um salão guarda.
Para que servem, de facto
Há três usos, e convém não os misturar, porque exigem coisas diferentes.
Acompanhar. Ver a evolução entre sessões, decidir se o plano está a resultar, ajustar o que se está a fazer. É o uso mais valioso e o menos falado.
Mostrar à própria pessoa. Quem faz um tratamento longo desanima a meio, porque vê-se todos os dias e não nota diferença. Uma fotografia de há seis semanas ao lado de uma de hoje é o que segura muitos planos de sessões — e não é manipulação: é mostrar o que de facto aconteceu.
Divulgar. Mostrar trabalho a quem ainda não é cliente. É o uso que dá mais visibilidade e o que exige mais cuidado.
São dados sensíveis, e isso muda as regras
Uma fotografia de uma pessoa identificável é um dado pessoal. Se mostrar uma condição de pele, uma queda de cabelo ou qualquer coisa relacionada com saúde, é um dado de categoria especial — e o tratamento desses exige mais do que uma permissão vaga.
Na prática, três coisas: pedir sempre, antes de fotografar; dizer para que é, distinguindo acompanhamento de divulgação; e registar o que foi autorizado, com data. Uma permissão dada de viva voz há três anos não é uma permissão que se consiga demonstrar hoje.
E a permissão para acompanhar não inclui a permissão para publicar. São duas decisões separadas e muita gente aceita a primeira e recusa a segunda — o que é perfeitamente razoável e tem de ser fácil de dizer.
Poder mudar de ideias
Uma permissão pode ser retirada, e o salão tem de conseguir agir quando isso acontece.
Significa saber onde estão as fotografias de cada pessoa — todas, incluindo as que já foram publicadas — e conseguir apagá-las sem uma busca arqueológica por telemóveis da equipa. É a razão prática pela qual as fotografias devem viver na ficha da cliente e não na galeria de quem a atendeu.
Um telemóvel pessoal com fotografias de clientes é um problema por três razões ao mesmo tempo: perde-se, vai-se embora quando a pessoa sai da equipa, e ninguém consegue garantir o que lá está. Sobre a propriedade destes dados escrevemos em Os dados das suas clientes são seus.
Como tirar fotografias que servem para comparar
A maior parte das fotografias de evolução não serve para nada porque não são comparáveis. Luz diferente, ângulo diferente, distância diferente — e a diferença que se vê é da fotografia, não do tratamento.
Quatro regras chegam para resolver noventa por cento disto:
- o mesmo sítio, sempre — marque um ponto no chão e um fundo liso;
- a mesma luz, de preferência não a da janela, que muda com a hora e com o tempo;
- o mesmo enquadramento, à mesma distância;
- sem filtros, nunca, nem para acompanhar nem para publicar.
A última é a mais importante e a mais tentadora de quebrar. Uma fotografia tratada destrói o valor de acompanhamento, e na divulgação cria uma expectativa que o trabalho não vai cumprir — o que produz clientes desiludidas com resultados que eram bons.
Publicar sem prometer o que não se garante
Quando as fotografias vão para divulgação, há dois cuidados que protegem o salão.
O primeiro é não sugerir que o resultado é típico quando não é. Um resultado excecional publicado sem contexto é uma promessa implícita, e quem chega à espera dele fica desiludido com um resultado normal.
O segundo é dizer o que foi feito: quantas sessões, em quanto tempo, com que tipo de trabalho. Além de ser honesto, é o que torna a publicação útil — mostra a quem vê o que teria de fazer para chegar ali.
Uma última nota sobre quem tira as fotografias. Vale a pena que seja sempre a mesma pessoa a fazê-lo num salão pequeno, ou que haja uma folha com as quatro regras colada junto ao sítio onde se fotografa. É o tipo de disciplina que parece exagerada nas primeiras semanas e que se paga ao fim de seis meses, quando se põem duas fotografias lado a lado e a diferença que se vê é a do tratamento e não a da luz.
Por onde começar
Se hoje as fotografias vivem nos telemóveis da equipa, a mudança mais útil é uma só: passarem a ficar na ficha da cliente. A partir daí, tudo o resto fica possível — comparar, mostrar, apagar a pedido, e continuar quando a pessoa que a acompanhava sai.
Depois escreva num papel de meia página o que se pede e o que se diz antes de fotografar, e use sempre as mesmas palavras. É o que evita que cada pessoa da equipa peça de maneira diferente. Sobre o que a ficha deve conter, está em Uma ficha de cliente que serve para alguma coisa, e o que isto envolve na prática está em funcionalidades.